Relatório McKinsey Janeiro · 2026
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O Novo Audiovisual · Relatório de Leitura

O Futuro da Produção Audiovisual
na Era da IA.

Como a inteligência artificial está reorganizando quem cria, quem distribui e quem captura valor no cinema e na TV. Uma síntese do estudo da McKinsey, com lentes do Novo Audiovisual.

Fonte McKinsey & Company
Curadoria Leandro Alvarenga
01 · Sumário Executivo

A IA não é uma ferramenta.
É uma mudança de plataforma.

Com base em entrevistas com mais de 20 líderes do setor, o relatório aponta ganhos de produtividade de 5% a 10% em casos específicos — sobretudo em desenvolvimento e pré-produção. O efeito acumulado redefine a economia da indústria na próxima década.

01

Eficiência em escala

Impacto sobre ~20% do gasto com conteúdo original nos próximos cinco anos.

02

Democratização criativa

Estúdios menores e criadores independentes competem com majors em valor de produção.

03

Novos formatos

Potencial de redistribuir até US$ 60 bi em receita anual em 5 anos.

5–10%
Ganho de produtividade já mensurável em casos de uso atuais.
20%
Do gasto com conteúdo original endereçável por IA em 5 anos.
US$ 60 bi
Em receitas anuais potencialmente redistribuídas após adoção em massa.
02 · Contexto de Mercado

A atenção parou de crescer.
O dinheiro já mudou de canal.

A IA chega num momento de pressão extrema sobre os players tradicionais. O tempo de tela atingiu um platô e a estagnação dos investimentos em conteúdo original obriga toda a cadeia a fazer mais com menos.

Tempo de tela

~7,5h

por pessoa/dia em 2024 — projeção de estagnação até 2030.

TV linear (EUA)

−4%

CAGR 2022–2024. Streaming cresceu +13% no mesmo período.

Conteúdo original

−2%/ano

Queda projetada até 2030, com foco em lucratividade e licenciamento.

Tipo de VídeoCAGR 2022–24CAGR Est. 2024–30
Vídeo Teatral−6%+3%
TV Linear−4%−5%
Vídeo Social+14%+6%
Streaming+13%+5%
03 · IA no Fluxo de Produção

De "corrigir na pós"
para "corrigir na pré".

A adoção é desigual. Pré e pós-produção lideram porque o risco contratual e técnico é menor. A produção física avança em ritmo lento — barreira de talentos, sindicatos e tecnologia.

Fase 01

Desenvolvimento & Pré-Produção

A vanguarda atual. Menor complexidade, retorno imediato.

  • Pitchings com direção visual clara
  • Decomposição analítica de roteiros
  • Listas de tomadas, locações e adereços
  • Filmagens mais rápidas e assertivas
Fase 02

Produção Física

Adoção mais lenta. Barreiras contratuais e proteção de talentos.

  • Produção virtual de locais complexos
  • Redução de filmagens externas onerosas
  • Menos refilmagens via planejamento preciso
  • Ciclos de produção mais curtos
Fase 03

Pós-Produção

Aceleração de fluxos clássicos e métodos nativos de IA.

  • Localização e dublagem por IA
  • VFX e animação acelerados
  • Pipelines híbridos humano + IA
  • Cronogramas significativamente mais curtos
04 · Lições da História

Toda nova tecnologia
redistribui o valor.

O relatório analisa 10 marcos tecnológicos do audiovisual. O padrão se repete: inovações de produção raramente beneficiam quem produz. Quase sempre, quem distribui é quem captura a margem.

Padrão 01

Distribuidores capturam

Da cinematografia digital ao streaming, distribuidores transformam eficiência em margem.

Padrão 02

A oferta explode

VCR, DVD e UGC multiplicaram a escolha e devolveram controle ao consumidor.

Padrão 03

Formatos imprevistos

A câmera de celular pariu o formato curto e abriu plataformas inteiras de distribuição.

"Quem produz raramente captura."
Distribuidores transformam eficiência tecnológica em margem. Criadores precisam aprender a jogar o jogo de quem detém a relação com o público.
05 · Três Cenários

Como a indústria se reorganiza.

Os autores apostam em três trajetórias que coexistem. Cada uma redesenha o mapa de poder e o tipo de negócio que faz sentido construir.

01
Eficiência operacional

Escalabilidade dos fluxos de trabalho

US$ 10 bilhões do gasto anual com conteúdo original nos EUA endereçáveis por IA até 2030.

Sete players respondem por 84% do gasto de distribuição nos EUA — concentração que posiciona os distribuidores como principais beneficiários da eficiência gerada por IA.

02
Democratização

Criação de alto nível para todos

Surgimento de "estúdios de uma pessoa só" com valor de produção premium.

Se plataformas abertas capturarem apenas 5% das horas de TV e cinema, isso pode representar uma queda de US$ 13,2 bilhões nas receitas de distribuição tradicional.

03
Novos formatos

"World Models" e hiper-personalização

Sistemas que entendem personagens, ambientes e causa-e-efeito.

O usuário gera histórias com seus personagens favoritos sem esperar nova temporada. Plataformas que combinam criação e distribuição (modelo TikTok/CapCut) chegam ao cinema premium.

06 · Riscos e Regulação

O bônus tecnológico tem um ônus.

A expansão da IA já molda o diálogo entre estúdios, sindicatos e desenvolvedores. Quem ignorar essas tensões, paga a conta depois.

01

Talento & trabalho

SAG-AFTRA e WGA já negociam proteções contra uso de "digital likeness" sem consentimento ou compensação.

02

Propriedade intelectual

Disputas sobre treinamento em obras protegidas. Lionsgate × Runway aponta o caminho: modelos proprietários treinados apenas em dados licenciados.

03

Alucinações & viés

Outputs que reforçam estereótipos ou inventam imprecisões históricas exigem revisão humana e testes de viés antes de chegar ao público.

04

Rastreabilidade

Propostas de "rótulo nutricional" para dados de treinamento, documentando entrada criativa humana para fins de direito autoral.

07 · Conclusão

A próxima década pertence a quem souber
orquestrar IA, proteger autenticidade humana
e adaptar-se à nova distribuição.

A tecnologia ainda não atinge consistentemente os padrões premium em todos os níveis — mas a trajetória aponta para uma reestruturação profunda dos pools de lucro e da própria natureza da narrativa audiovisual. Líderes do setor precisam se preparar agora.

01

Orquestrar

Saber escolher, combinar e dirigir ferramentas de IA como um diretor dirige um set.

02

Proteger

Defender a autenticidade humana — narrativa, voz e ponto de vista — como ativo central.

03

Adaptar

Construir presença em novos canais antes que os modelos de distribuição mudem outra vez.

08 · O Novo Audiovisual

O movimento de quem cansou de trabalhar demais para ganhar de menos.

Leandro Alvarenga
Quem assina esta leitura

Leandro Alvarenga

Fundador da Ona · O Novo Audiovisual.

Estudo o cruzamento entre narrativa, negócio e tecnologia aplicado à indústria audiovisual brasileira — e escrevo para quem cansou de trabalhar demais para ganhar de menos.

Acesse o relatório oficial What AI could mean for film and TV production — and the industry's future mckinsey.com
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